João Pessoa histórica, turística e cultural
Um passeio ilustrado pelo autor
O viajante andou por João Pessoa. Foi à praia no Bessa, tomou sorvete ao pé do busto Tamandaré, visitou o museu da cidade e do artesanato, ando o centro histórico, ficou abismado com o Centro São Francisco, ouviu os guias e perguntou.
Passou pela Academia de Letras e o sobrado dos azulejos, colecionou os pores do sol do Jacaré e Hotel Globo, subiu num skybar e viu tudo do alto. Fotografou e tomou nota. Foi à livraria, procurou a história da cidade, um guia, um panfleto, um informativo, nada encontrou.
Correu na biblioteca, e leu encantado Bazin, Herckmans, passou pelo Sumário da Armada, Walfredo Rodriguez, José Américo, a tese de Moura Filha e os escritos de Mota Menezes e mais um tanto de coisa. Depois de tudo, rascunhou o que aqui está.
Cidade que nasceu em um alto com vista para o rio Sanhauá, ficou e cresceu entre a parte alta e a baixa, zona ribeirinha, chamada Varadouro, com porto e fortaleza, povoada por inúmeros religiosos ao gosto Barroco-Rococó.




Interior da Igreja do Carmo
Fotografia Gustavo Sobral
O Centro São Francisco é obra-prima ladeado por dois muros enfeitados de azulejos brancos, conjunto cercado de volutas e cada muro conta com uma cópia idêntica dos “Leões de Fô”, influência oriental, trazidas diretamente pelo missionários da China. Começou a ser construído em 1589 e só terminou dois séculos depois.

Muro azulejado
Fotografia por Gustavo Sobral


Leão de Fô
desenho Gustavo Sobral

Capela Dourada, Centro São Francisco
Fotografia por Gustavo Sobral
Detalhe: no segundo pavimento, o claustro é habitado por celas individuais que chegaram a 40. Hoje, restam duas mobiliadas para que o turista tenha noção de como eram. Há ainda o coro para o lazer dos monges.
Ocupada pelos holandeses, a cidade teve os encantos descritos pelo governador Elias Herckman em 1639: solo fértil para cana, florestas a perder de vista, rios nadando em peixes, boas águas, bons ares, portos naturais, rio caudaloso que permitia a entrada de navios de grande porte e engenhos de larga produção de açúcar.
A vista de janela fica por conta do inglês Henry Koster em 1810: “Vastos e verdes bosques, bordados por uma fila de colinas, irrigados pelos vários canais que dividem o rio, com suas casinhas brancas, semeadas nas margens, outras nas eminências, meio ocultas pelas árvores soberbas.”
O modernista Mário de Andrade, em 1929, se abestalhou: “Chego no pátio do Convento S.Francisco e paro assombrado (…). Do Nordeste à Bahia não existe exterior de igreja mais bonito nem mais original que este. E mesmo creio que é a igreja mais graciosa do Brasil (…)”.
Ainda disse de uma lenda, que no subterrâneo da igreja, comunicando com a fortaleza do Cabedelo, havia um dragão que comia crianças de medo e chamou o cruzeiro de “monólito formidável”, para consagrar que a “Paraíba tem antiguidades arquitetônicas esplendidas. Algumas com boniteza, outras só com antiguidade.”
O tempo foi passando, a cidade foi se modificando e tomou a extensão para o litoral sul, na direção da praia de Tambaú. José Américo de Almeida apontou que a pavimentação da Avenida Epitácio Pessoa tornou João Pessoa marítima. Ali, o primeiro ponto de parada, o busto Tamandaré.

Busto de Tamandaré
Desenho por Gustavo Sobral
Tambaú, “lugar onde se apanha conchas”, enseada que é um encanto e a presença de coqueirais, ganhou um hotel circular, o Hotel Tambaú, infelizmente, hoje, fogo morto.
José Américo conta que Tambaú se dividiu em dois bairros: à esquerda, Santo Antônio; a direita, Cabo Branco. Na avenida Cabo Branco, casas esparsas, ventos contidos.
O banho de mar nas horas mornas era banho-maria. Jangadas apontavam na enseada de uma costa que se desenha murada por arrecifes, numa paisagem que se delineava entre dunas e coqueiros. Hoje construções, pois os bairros urbanizam-se.
A cidade foi se espraiando ao longo da costa, ocupando a praia com o turismo, edifícios residenciais de baixa estatura, circulando por suas vias que levam e trazem, os shoppings apareceram, inclusive, um a beira-mar. Um edifício subiu mais que os outros, no Altiplano, e ainda se fez em 51 andares.
Lá do alto, a cidade vira uma maquete. Tempos modernos. Bares, restaurantes, padarias, hortifrútis, padarias, cafeterias, a cidade é do cidadão, mas é também dos visitantes.

João Pessoa vista do alto
Fotografia por Gustavo Sobral

Fotografia por Gustavo Sobral
O autor destas linhas, rabiscos e cliques, trouxe estes registros dos seus últimos passeios em João Pessoa, ou Jampa, para os íntimos, em 2023 e 2024, e pretende conhecer o que lhe é ainda desconhecido.
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