Ode ao Beco
Avenidas, ruas, travessas, becos, esquinas — quantos são os caminhos que fazem uma cidade? Serão as avenidas mais importantes que as ruas, as ruas que as travessas, as travessas que os becos?
As avenidas são consideradas ruas largas; as travessas, ruas paralelas; e os becos, ah, os becos. O beco é atalho, é passagem no meio do caminho. Mas o beco sobrevive e vive além de sua função de trânsito menor.
Quem o nomeia é o povo, e não as homenagens às figuras veneráveis. O beco é independente. O beco é o que é. É da alegria dos bares; é do comércio na rua; é do artista que o transforma em arte, poesia, música. E um simples beco se torna maior que uma avenida. O beco é uma festa. O beco é livre.
Texto e desenho de Gustavo Sobral preparados para a sua participação na 6ª FliBeco, em Natal/RN, Cidade Alta, 07 de novembro de 2026, na mesa dedicada às “Memórias do Beco da Lama”. Encontro com a participação de Cris Magalhães, Cefas Carvalho, Graco Aurélio Viana e Gustavo Sobral.
Gustavo Sobral é jornalista e desenha. Tudo que escreveu, escreve, publica e rabisca, entre livros, desenhos e textos, está disponível no seu site pessoal gustavosobral.com.br de forma gratuita.
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